30 de abril de 2008

Rascunho do tempo

Faz tempo que esqueci a poesia.
Era como um amigo que conheci um dia.
Daqueles que se sabe nunca irão esquecer,
mas o tempo e a distância
se encaminharam de torná-lo uma lembrança fria.
Hoje sinto falta do seu toque suave em minha mente.
Daquela prosa que repetia constantemente.
Sinto que o tempo passou.
Nossa amizade ficou
para sempre na lembrança
e hoje quando quero revê-la
basta uma caneta e folha branca
para a saudade ter fim.
Quem bom que é assim.

Escrito por Rogerio Martins em 19/05/03

28 de abril de 2008

O poema da minha vida

O poema da minha vida
compõe-se de versos
ora tristes
ora tolos
como os momentos que vivi.
O poema de minha vida
é feito de canções
melodias
melodramas
(muitos que aprendi).
O poema de minha vida
é repartido em atos
como uma peça de teatro
que encenei durante anos
num palco de papel.
O poema de minha vida
tem rimas
tem música
tem musa
Mas esta musa
do poema de minha vida
não compreende
que meu corpo é feito de celulose
que em minhas veias
correm gotas de tinta
e assim me trocou
por um poeta cocreto.

Escrito por Rogerio Martins em 27/01/92

27 de abril de 2008

cortei poemas para a ceia
cesta cheia de rimas
mas a fome é maior
não suficiente para saciar
a ignorância humana
resolvi então dá-los por inteiro
visto que poemas nascem
em qualquer chafariz
ora transbordando pelos canteiros

Escrito por Rogerio Martins em 05/09/95

26 de abril de 2008

Sentado à mesa
consome letras
trás de si
um vocabulário
de ilusões
visões e alucinações
De bruços sobre
a mesa
derrama tinta negra
do seu corpo gélido
onde traços
empunham sabres
fincando no coração
da poesia

Escrito por Rogerio Martins em 17/09/92
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Se vós estiverdes em Mim e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será concedido.
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25 de abril de 2008

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Tudo quanto pedires em Meu nome Eu o farei. A fim de que o Pai seja glorificado através do Filho.
Por isso repito: se pedires alguma coisa em Meu nome Eu o farei.
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24 de abril de 2008

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Não te disse Eu que, se creres tu verás a glória de Deus?
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23 de abril de 2008

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Se tiveres fé, cumpre saber que tudo é possível àquele que a tem.
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22 de abril de 2008

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Por isso, vos digo que tudo quanto pedires em oração, crede que receberás, e assim será para convosco.
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21 de abril de 2008

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Em verdade vos digo,
se dois dentre vós sobre a terra concordarem
a respeito de qualquer coisa que desejardes pedir,
isso será concedido por Meu Pai que estás nos Céus.
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome,
ali estou Eu no meio deles.
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Da janela

Da janela sobem nuvens
brancas, grandes, formosas.
Dos olhos somem paisagens antigas
restando memórias novas.
Do novo olhar surgem horizontes
como fontes jorrando amanhãs.
É preciso enxergar o real
sem lentes distorcendo a essência.
De fato só resta o que é
sem espaço para a dúvida
como uma janela aberta
para enxergar tudo que há.
E o que há, então?
Há vida...
nova e velha
presente e passado
todos contruindo o futuro.

Escrito por Rogerio Martins em 21/04/08

20 de abril de 2008

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Se pedires, Deus te dará.
Se buscares, Deus te fará encontrar.
Se bateres, Deus te abrirá a porta.
Pois tudo o que pedes, recebes de Deus.
O que buscas, encontrarás em Deus, e a quem bate, Deus abrirá todas as portas.
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13 de abril de 2008

(R)EVOLUÇÃO INTERNA

tece
o texto,
fase a face,
fazendo um poema.

trama
o tema,
lema a trema,
criando um romance.

urde
a própria vida,
fio a pavio,
gerando linhas
de sua existência
litero-genética.

enfim,
compõe-se:
escritor.

Rogerio Martins em 26.05.90

12 de abril de 2008

O poder das palavras

todas as palavras são ditas,
ditongos,
hiatos,
em atos e rituais diferentes.
portanto,
revogo o direito
de dizer a palavra muda,
aquela que,
no momento oportuno do gozo,
cala!
e quem cala consente...

Rogerio Martins em 26.04.91

11 de abril de 2008

A musa e o poeta

Medusa
a deusa das musas
penteia suas serpentes
em frente do espelho
de concreto.
Pelo caminho há pedras
que até Drummond poetizou.
Pelo campo
há leito de mármore
onde repousa o poeta
e suas musas
de olhos verdes-escarlates.
Pelo vasto papel
há tinta e veneno
nas palavras
do homem petrificado.

Rogerio Martins em 22.07.91

10 de abril de 2008

Ligações perigosas

nossos laços
se entremeiam
entre meias,
fios de nylon,
pernas e células.
nossos braços
se entrecruzam
entre laços
apertados num
mesmo nó,
nós mesmos.
nossos ossos expostos,
feito nozes
de um natal por vir,
se ligam
contruindo um só.
nossas ligações instantâneas,
tantas vezes feitas
de instantes tolos,
são sós,
são nós,
somos nós,
aqui nos arredores
destes momentos infinitos.

Rogerio Martins em 13.07.91

9 de abril de 2008

Histórias de pescador

Rima pão
rema pescador.
A massa
em água e sal
o barco em mar e céu
consomem tempo
tempo que não existe
só há confronto
peixe e pão
mar e rima
peixe-voador.
Ribamar cobiça
o pão
mas o peixe
é seu ganha-pão.
Afoga sua dor
na massa cozida
pelo sol e sal.
Leva para casa
a dor
o confronto
e o pão
(peixe).

Rogerio Martins em 22.07.91

8 de abril de 2008

Perdi minha mãe postiça!
Olhos de vidro
- negros -
sobrancelhas e cílios descartáveis
pernas mecânicas
de encaixe triplo
busto de silicone
(onde me alimentei
com leite pasteurizado)
dentadura importada
e artrite nos maxilares.
Assim era mamãe...
Toda perfeita
toda refeita.
Coração de ouro
mão de ferro
e vértebras a base
de carbono 14.
Mente ágil
programada em Basic.
Perdi mamãe
para o dono do ferro velho.

Rogerio Martins em 19.05.91

7 de abril de 2008

Éter

Nas frestas que o céu
deixa escapar
nascem nuvens
menstruando verões
em pleno outono.

Estas rachaduras do céu
locomovem-se como
maria-fumaça
dispersando nuvens
movidas a carvão.

E nos vincos
mal remendados
do éter
tropeçam estrelas
caindo meteoros
na terra desnuda.

Rogerio Martins em 11.05.90

6 de abril de 2008

a crítica sinistra que nos transpõe
é resultado político
de um incesto estadual.
entre marx e engels
freud e jung
há um átomo de segundo
que nos nivela
parindo um outro mundo
dentro de nós.
e deste vocábulo infinito
ínfimo de nossas existências
escondem-se congruências
capazes de nos fazer rir
gargalhar aos prantos
farfalhar pelos cantos
de uma estação inóspita.

Rogerio Martins em 06.04.90

5 de abril de 2008

Comigo caminho
por caminhos
em que Caminha
nunca navegou.
Na vergonha
de não me encontrar,
não me solto,
atando-me neste mar
de caravelas,
de velhas caras...

Rogerio Martins em 03.05.90

4 de abril de 2008

Maré cheia

o mar pescou
o pescador.
hoje é dia de caça.
caça-submarina.
jogou sua rede ao céu
tentou pescar estrelas
mas içou pescador

Rogerio Martins em 21.06.90

3 de abril de 2008

O sótão

debaixo do sótão
escondem-se porões
poros gitantescos
que suam atmosfera

Rogerio Martins em 21.08.95

2 de abril de 2008

Iemanjá

Cotidianamente senta-se
à beira-mar
e atira estrelas ao oceano
até entardecer

Ofuscada pelo brilho do luar
atira-se ao mar
como estrela perdida
cansada da beira-mar

Como estrela
cotidianamente retorna com a maré
para os pés juvenis
da garota que a atira de volta ao mar

Rogerio Martins em 14/02/00